terça-feira, fevereiro 20, 2018

Chiclete na União Soviética: de perseguição ao fabrico próprio (7 imagens)

Durante bastante tempo chiclete era perseguida na União Soviética. Os seus usuários eram pesadamente trollados na imprensa soviética, juntamente com todas as outras manifestações de moda viva, brilhante e jovem – calças boca-de-sino, penteados hippie ou música ocidental.  

Chiclete «ideologicamente danosa»
Inicialmente, chiclete foi submetida na URSS à perseguição ideológica. Possivelmente, os jovens que mascavam chiclete não correspondiam à imagem do “construtor do comunismo, ideologicamente experiente”.

O ato de “apreensão de pastilha elástica” na alfândega soviética em 2/3/1978:
O caso de chiclete mostra como funcionava o sistema soviético: o partido comunista emitiu uma ordem de “proibir!”; depois disso, nas escolas e universidades os professores, sem levantar as questões, começaram indoutrinar os seus alunos. Uns diziam que a chiclete é muito prejudicial ao estômago, outros argumentavam que mascando a chiclete uma pessoa “se torna novamente um macaco”; havia os que inventavam estórias sobre as “lâminas infectadas”, que os estrangeiros marvados colocam dentro da chiclete, que trocavam com as crianças soviéticas para conseguir as insígnias “Made in URSS”.

Tragédia em Sokolniky

No dia 10 de março de 1975 no Palácio de Desportos do bairro moscovita de Sokolniky, decorreu um jogo amigável de hóquei no gelo entre a equipa/time canadense “Berry Cap” e a equipa de juniores do CSKA, que resultou em 21 pessoas mortas e 25 gravemente feridas.
A placa memorial colocada no local em 2013, 38 anos (!) após a tragédia
A produtora de chiclete “Wrigley” – patrocinadora da equipa canadense, forneceu aos jogadores e técnicos as caixas de chiclete que estes começaram distribuir no fim do jogo – aparentemente, como parte do contrato de patrocínio. Os canadenses não tiveram em conta, ou simplesmente não sabiam que na URSS chiclete era um produto absolutamente inacessível, um défice absoluto. Os jovens soviéticos presentes no jogo (mais de 4.000), correram para recolher o artigo escasso, se transformando numa multidão incontrolável. Para piorar a situação, a administração do Palácio de Desportos – temendo que as fotografias da luta desenfreada dos cidadãos soviéticos pela posse de chiclete possam cair na imprensa ocidental, deu a ordem para desligar as luzes e trancar as portas metálicas de saída.

Na escuridão total as pessoas começaram cair, pisadas pela multidão em fuga e fúria. A imprensa soviética foi proibida de escrever sobre incidente – todas as testemunhas oculares interrogadas pela polícia foram forçadas a assinar a declaração de não-divulgação – a imprensa comunista da época escrevia apenas sobre as obras e realizações.

Chiclete soviética
Já em 1976 chiclete começou ser fabricado na URSS — o produto já não era chamado «ideologicamente danoso», desapareceram todos aqueles que contavam sobre os perigos do seu uso. A primeira fábrica era montada em Yerevan na Arménia, depois surgiram as fábricas em Rostov-no-Don e “Kalev” em Tallinn na Estónia.
Na década de 1980 chiclete era fabricado pela fábrica moscovita “Rot Front”, uma cópia do clássico “Wrigley” — cinco barras num pacote de folha de alumínio, com sabores de laranja, menta, morango e café. O pacote custava bastante caro aos preços ocidentais, 50 – 60 copeque (0,85 – 1,2 dólares).
Chiclete "Aroma de café"
A chiclete “Rot Front” soviética era uma cópia fraca de “Wrigley”, o produto era mais molhe e mais cinzento, impróprio para criar uma bolha de ar. Mesmo assim, este chiclete era um défice tremendo, quase nunca disponível nas lojas soviéticas. O sabor da chiclete com “sabor de café”, na realidade era mais parecido com o sabor de “bebida de café”, na base da chicória com leite, a bebida barata, vendida em quase todas as cantinas soviéticas.

«Vitória capitalista»

Nos anos finais da existência da URSS, cerca de 1990-91, no mercado apareceram, em peso, os produtos ocidentais. O mais apetecível era chiclete “Donald” — muito gostoso, vinha no seu interior com um míni folheto de quadradinhos do “Tio Patinhas”. Este chiclete custava 1 rublo (1,7 dólares), o negócio era muitíssimo compensatório. Comprando apenas uma caixa de chicletes na Turquia e a vendendo em 1-2 dias, o vendedor ganhava o salário médio mensal soviético.
Sensivelmente no mesmo período apareceu chiclete “Turbo”, com sabor de pêssego e imagens de carros no seu interior. Além disso, no fim da URSS entre os jovens eram populares chicletes ocidentais “Tipi-Tip”, “Final” (com cromos / jogadores de futebol) e “Lazer” — com equipamentos militares.

Já após o colapso da União Soviética, no mercado apareceram outras marcas: “Love is”, “Bombibom”, “Boomer”, “Cola”, “Wrigley” e muitas outras. E chiclete soviético de “Rot Front” deixou de existir de forma silenciosa – nunca mais foi visto desde 1991.

Fotos: reviewdetector.ru | stadiums.at.ua | picssr.com | Texto: Maxim Mirovich

“15:17 Destino Paris”: Clint Eastwood, o extremista da simplicidade

Eastwood recria com mão de mestre o atentado falhado do comboio Thalis em 2015, em “15:17 Destino Paris”, usando os três heróis do mesmo como actores. O filme à não perder de cinco estrelas.

por: Eurico de Barros, Observador

Primeiro que tudo, vamos aos factos, apenas os factos, como diria o Sargento Friday, da velha série policial “Dragnet”. No dia 21 de Agosto de 2015, um marroquino de 25 anos, Ayoub El Khazzani, que trazia consigo armas de fogo, munições, uma faca e uma garrafa de gasolina, quis fazer um atentado no comboio de alta velocidade Thalys que ligava Amesterdão a Paris e levava 554 passageiros. Depois de ferir a tiro um homem, o terrorista foi manietado e desarmado por três amigos americanos, dois deles militares de licença e o outro estudante universitário, e que estavam de férias na Europa: Spencer Stone, Alek Skarlatos e Anthony Sadler. Foram ajudados por Chris Norman, um homem de negócios inglês de 62 anos, residente em França. Stone ainda foi esfaqueado pelo terrorista. Não houve vítimas a lamentar e poucos dias depois, os heróis do Thalys seriam condecorados pelo presidente François Hollande.

[Veja o “trailer” de “!5:17 Destino Paris”:]

Em “15:17 Destino Paris”, Clint Eastwood recria os acontecimentos desse dia no comboio. Mas o filme, escrito pela estreante Dorothy Blyksal, não se limita a isso. Pondo os três amigos a interpretar-se a eles próprios (coisa raríssima no cinema dos EUA, só há um precedente, com o herói da II Guerra Mundial Audie Murphy, em “O Regresso do Inferno”, de 1955) e a reviver as situações por que passaram, Eastwood recorda a vida do trio desde a infância, quando se conheceram na escola, usando esse regresso ao passado para mostrar como eles se transformaram nas pessoas que viriam a impedir uma tragédia num comboio em França. Aqui chegados, importa salientar que “15:17 Destino Paris” é um filme desprovido de toda e qualquer intenção épica, livre de discursos heróicos inflamados, de empáfia patriótica e sem o menor vestígio de retórica, seja cinematográfica, seja ideológica, trabalhando nos limites da economia, da elipse, da síntese, e mesmo assim produzindo efeito formal, dramático e psicológico.

[...]

O determinismo também não é chamado para o filme, tal como a invocação de um qualquer “destino”. Clint Eastwood está interessado em mostrar como é que pessoas perfeitamente normais são capazes de comportamentos extraordinários em circunstâncias especiais, que por uma feliz coincidência apelam a que essas pessoas ponham automaticamente em prática a formação específica que tiveram. E o realizador não omite, em nome de qualquer “efeito” dramático, o facto da Kalashnikov do terrorista ter encravado na hora “h”, ou Stone e os seus amigos, por mais iniciativa e coragem que houvessem demonstrado, teriam provavelmente sido todos abatidos e El Khazzani feito um banho de sangue no Thalys. Como disse Skarlatos posteriormente: “Escolhemos lutar, tivemos sorte e não morremos.” Tão simples e tão espontâneo como isto.

Depois de “Sniper Americano” e de “Milagre no Rio Hudson”, “15:17 Destino Paris” é o terceiro filme seguido em que Clint Eastwood trata de assuntos da actualidade envolvendo figuras reais. Só que em vez de trabalhar com vedetas como naqueles dois (Bradley Cooper e Tom Hanks, respectivamente), o realizador preferiu que os três amigos se interpretassem a si próprios, em nome de uma maior autenticidade. E a verdade é que Stone, Skarlatos e Sadler são os três tão naturais e saem-se tão surpreendentemente bem, que nos esquecemos que são eles mesmos e pensamos que se trata de actores desconhecidos a personificá-los. Faço minhas as palavras de Richard Brody na sua crítica na “The New Yorker”: gostava de os ver fazer mais coisas noutros filmes. Quem sabe até se Eastwood não os volta a utilizar.

Bónus
Não, isso não é uma imagem do incêndio numa cidade atacada por peste e nevasca num filme de fantasia sobre a sombria Idade Média. São jubilosos cidadãos russos, moradores da cidade da Kaluga queimam a maquete de uma igreja católica, celebrando a festividade de Maslenitsa...
17/02/2018

domingo, fevereiro 18, 2018

Ucrânia: quatro anos desde Maydan e da morte da Centena Celestial (fotos e vídeos)

Quatro anos se iniciou na Ucrânia o período mais trágico da Revolução da Dignidade. Entre os dias 18 e 20 de fevereiro de 2014, na Maydan (Praça da Independência em Kyiv), foram assassinadas mais de 100 manifestantes, mais de mil foram feridos e centenas de outros foram presos e torturados.
Até o dia 24/02/2014 foram identificados 81 manifestantes e 12 polícias mortos
Os manifestantes eram da Ucrânia, Geórgia (3) e Rússia (2)
(as fotos dos ativistas ucranianos mortos foram retiradas para não refir as sensibilidades dos mais sensíveis, em breve serão publicadas numa outra plataforma).

Quem eram os assassinos?

Jovens delinquentes, conhecidos como titushki, armados com as pistolas se escondem atrás da polícia ucraniana
Um dos comandantes dos atiradores responsáveis pela morte dos diversos manifestantes (ocorridas nos dias 19-20.02.2014), foi identificado como coronel Serhiy Asavelyuk do grupo especial de operações (spetznaz) do Ministério do Interior da Ucrânia.
Coronel Asavelyuk e o seu grupo de franco-atiradores
O seu grupo especial usava os capacetes e o fardamento negros que o distinguia claramente das outras unidade da polícia ou dos serviços secretos. Este grupo especial se baseava na Crimeia, como informava, na altura, a página oficial do Ministério do Interior da Ucrânia.
O coronel Serhiy Asavelyuk na altura tinha 43 anos, era conhecido pelo nom de guerre de “Assa”, especializava-se em ações paramilitares. Foi membro do grupo especial “Alfa” da secreta ucraniana (SBU). Mais tarde se tornou o responsável de segurança das diversas organizações, empresas e organizações do setor privado.
O regime do Yanukovych usa os blindados ligeiros, um deles foi queimado na Maydan
Com início da guerra russo-ucraniana, que começou em abril de 2014, coronel Serhiy Asavelyuk continuou firme ao seu juramento de defender Ucrânia, em várias ocasiões ele participou em combates diretos contra as forças russo-terroristas. No dia 5 de maio de 2014, Asavelyuk participou na primeira batalha das forças especiais ucranianas contra as unidades russo-terroristas nos arredores de Slovyansk. A sua contribuição profissional na Operação Antiterrorista (OAT) é avaliada pelos militares, jornalistas e blogueiros ucranianos como positiva...
Polícia "Berkut" maltrata e tenta humilhar os manifestantes, na foto em baixo
o manifestante "capturado" (com dobro de idade do polícia) é arrastado no chão pelos cabelos
Coronel Serhiy Asavelyuk chegou a testemunhar no tribunal sobre a sua participação nos acontecimentos de Maydan, ele está comandar uma unidade especial da Guarda Nacional da Ucrânia (NGU), nunca foi indiciado por qualquer crime cometido por ele, ou sob o seu comando.
Fotógrafo ucraniano Gleb Garanich/Reuters foi atingido pela granada de som e luz, salvo pelo colete prova de bala
Até hoje nenhum polícia ucraniano foi condenado pela sua participação direta nos crimes cometidos na Maydan. Um grande número dos polícias do destacamento antimotim “Berkut” fugiram para Rússia e servem nas unidades antimotim russas. Outros simplesmente desapareceram do mapa, presumivelmente também se encontram à viver na Rússia.
Munição usada pelo destacamento de polícia "Berkut" contra os manifestantes
Graças à decisão política (muitíssimo contestada) de não perseguir os responsáveis, Ucrânia conseguiu manter no ativo ou na neutralidade operacional diversos polícias e oficiais das unidades especiais, que, de outra forma, seguramente serviriam aos inimigos do país.   
A história dos "fascistas" ucranianos, pai e filho Kuznetsov
A batalha em Kyiv na rua Instytutska (20.02.2014). Os manifestantes, munidos de escudos de contraplacado e de alumínio enfrentam os franco-atiradores governamentais. Quase todos os ativistas que aparecem no início deste vídeo, serão mortos ou feridos no decorrer das ações de resistência popular, retratadas no filme documental "Como morria a Centena Celestial":

Ver o filme “Winter On Fire” – completo e dublado/dobrado em português:

Ucrânia ganha a primeira medalha de ouro nos JO-2018 em PyeongChang

Neste domingo, 18 de fevereiro, o atleta ucraniano Oleksandr Abramenko, ganhou para Ucrânia a sua primeira medalha de ouro na categoria de esqui estilo livre (freestyle) nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 em PyeongChang.
O atleta efetuou um salto muito complexo de acrobacia de esqui, nunca antes realizado em competições internacionais. Os juízes avaliaram o salto em 128,51 pontos, a marca que não foi superada por nenhum dos seus rivais.
Faça click para ver vídeo e fotos
A qualificação do Oleksandr às Olimpíadas não foi nada facil. Na primeira tentativa, ele conseguiu o 9º resultado (123,01 pontos), o que não lhe permitiu chegar imediatamente às finais (para isso, foi necessário obter lugar nos primeiros seis classificados entre 25 atletas). No entanto, na segunda tentativa, Abramenko ocupou o quarto lugar e se classificou 10º entre 12 participantes, escreve a página ucraniana news.pn
Desta feita, Ucrânia ocupa provisoriamente o 17º lugar na classificação geral, no total de 26 países, cujos atletas conseguiram até agora ganhar uma medalha destes Jogos Olímpicos de Inverno.
Obrigado Oleksandr!
Glória à Ucrânia!

sábado, fevereiro 17, 2018

RIP Oleksandr Khomchenko: evangélico ucraniano torturado pelos terroristas

No dia 16 de fevereiro de 2018 morreu o pastor protestante ucraniano Oleksandr Khomchenko que em 2014 foi severamente espancado e submetido às mais cruéis torturas apenas por rezar publicamente pela Ucrânia no centro de Donetsk.

Maratona de orações
Na primavera de 2014, no centro de Donetsk, na praça de Constituição, o pastor evangélico ucraniano, Oleksandr Khomchenko, ancião da igreja “Palavra da Vida” (http://wolua.org/en), colocou uma tenda e convidando os representantes de todas as confissões religiosas, começou as orações diárias pela paz. Apenas a Igreja Ortodoxa Ucraniana – Patriarcado de Moscovo estava ausente. No início, as orações reuniam até 300 pessoas, mas com o tempo, o número dos terroristas na cidade aumentava e as pessoas deixavam de aparecer, amedrontados. Na altura, era possível ser assassinado apenas por ostentar na sua roupa a fita com as cores da bandeira ucraniana. Em julho de 2014 a tenda foi 4 vezes atacada pelos terroristas do bando separatista “Oplot”, e pelos ex-polícias “Berkut” que passaram para o lado dos terroristas. A explicação que se orava pela Ucrânia e todos os seus cidadãos, não ajudava. Os padres das outras igrejas já não vinham, uns foram ameaçados com o fuzilamento, outros, eles próprios tiveram o medo. No total, a maratona durou 158 dias...

De dia, Oleksandr transportada fora de Donetsk, para Ucrânia livre, as famílias com as crianças pequenas ou doentes. Uns com ajuda de autocarros, outros, com as crianças deficientes, na sua própria viatura.

Nas masmorras do “NKVD”
O pastor Oleksandr Khomchenko após as torturas russo-terroristas
Oleksandr foi preso em 4 de agosto de 2014, quando veio à oração, após retirar da cidade mais uma família. [Os terroristas disseram]: “Somos da inteligência do exército ortodoxo [assim no leste da Ucrânia se identificavam os nazis russos da organização nazi russa RNE]. Você está preso”. A permissão emitida pelo Município foi rasgada pelos terroristas e Oleksandr e uma das suas paroquianas foram levados à sede provincial da polícia [em poder dos terroristas]. A acusação foi: “Vocês não têm o crucifixo. Que tipo de ortodoxos são vocês?” A paroquiana mostrou o seu crucifixo e acabou por ser libertada, o pastor e o seu ajudante Valério foram levados à cidade de Makiivka. Num dos momentos, Oleksandr achou que estava à sonhar, quando viu a placa numa das portas do edifício: “NKVD”.
 
Oleksander foi espancado, torturado, amarrado com as suas mãos atrás das costas, pendurado numa espécie de patíbulo. Num dos quartos deste “NKVD” ele viu um conjunto completo de ferramentas para a tortura. “Lembrei-me de tudo o que eu tinha lido sobre a Inquisição”, – conta o pastor. Após encontrar nos seus bolsos as senhas de gasolina e percebendo que a matrícula do seu carro é de Dnipro, os terroristas o acusaram de trabalhar para o industrial Igor Kolomoisky, tentando arrancar a informação para quem pastor trabalhava e à quem relatava as suas atividades...

O bandido que o torturou em Donetsk contou que vinha de Belgorod (Rússia) para combater o dito fascismo. Oleksandr conta que mais uma vez ficou perplexo, pois pela ortodoxia lutava o terrorista com alcunha de Igor “Bes” Bezler (Demónio), contra o fascismo lutava um tal de Sergey “Abwehr” Zdrylyuk (aparentemente liquidado em maio de 2017 na Donbas).

Três fuzilamentos em quatro dias

Em quatro dias de cativeiro, Oleksandr foi três vezes levado ao fuzilamento. Na primeira vez a rajada passou por cima da cabeça, embora o pastor conta que estava preparado para morrer. No primeiro dia do cativeiro ele via e ouvia como matavam os ucranianos: alguém foi morto com a espingarda automática, outro foi alvo do “teste” do morteiro. Uma pessoa foi colocada de joelhos e levou a bala na nuca. Pela segunda vez pastor foi levado ao fuzilamento em Makiivka, colocado na berma do buraco cheio de corpos dos prisioneiros fuzilados. “Após a guerra, iremos encontrar muitas valas comuns deste tipo”, – diz Oleksandr e conta que após se confessar instantaneamente, disse às canalhas que estavam à sua frente: «Obrigado, vós, meus amigos. Eu sei à onde vou, o vosso caminho é o lugar nenhum». Mais uma vez os terroristas dispararam ao lado…

A vida após o cativeiro
O pastor recebeu a medalha popular "Herói Popular da Ucrânia"
Oleksandr não sabe porque não morreu, pensa que talvez o chefe da “contrainteligência” dos terroristas teve medo da repercussão do caso. Os crentes da sua igreja estavam na porta do “NKVD”, orando em voz alta e o pastor lhes foi entregue. Na condição de não voltar ao Donetsk, pois ele foi colocado na lista daqueles que seriam fuzilados. As pessoas que ficaram em Donetsk, contam que, de todos os que o torturavam, hoje nenhum está vivo.  

Após o cativeiro, Oleksandr foi à cidade de Mariupol, onde por ele esperavam os seus estudantes, a filha com os netos e o genro. Embora recebeu as propostas de servir a igreja em Kyiv ou Odessa, ficou em Mykolaiv, na companhia de um dos seus melhores amigos. Vivia em um quartinho junto à igreja. Ficava contente com pouca coisa. Considerava como a sua missão principal as visitas à zona da Operação Antiterrorista (OAT), para salvar as almas dos jovens militares ucranianos. Quando estes lhe faziam as perguntas pouco religiosas, por exemplo, sobre o significado da guerra, lhes explicava: “não confundem o país e o Estado; o Governo e o povo”.

Até últimos dias da sua vida ele ajudava aos ucranianos que viviam na zona de OAT. Era amigo do nosso blogue, leu a agradeceu o artigo publicado que relatava o seu Calvário pela fé e pela Ucrânia.

RIP Oleksandr.
Glória à Ucrânia!

sexta-feira, fevereiro 16, 2018

Reuters: perdas russas na Síria – 300 mortos e feridos

Agência Reuters escreve que cerca de 300 mercenários russos de uma EMP russa vinculada ao Kremlin, foram mortos ou feridos na Síria na semana passada (30% deles com muita gravidade) e hoje são tratados nos hospitais militares russos.

Um médico, citado pela Reuters conta que o seu hospital recebeu na manha de sábado (10 de fevereiro) cerca 50 pessoas feridas, dos quais 30% com muita gravidade. Ele disse que feridos foram trazidos nos aviões militares de carga, especialmente equipados para receber pacientes gravemente feridos. O médico explicou que a maioria das vítimas eram “contratados militares”, ou seja mercenários russos.

Yevgeny Shabayev, líder de um grupo local dos “cossacos” que tem fortes laços com diversos mercenários russos, contou à Reuters que tinha visitado, na quarta-feira (14 de fevereiro) os conhecidos seus, que foram feridos na Síria e estão sendo tratados no Hospital Central do Ministério da Defesa em Khimki, nos arredores de Moscovo.

De acordo com Shabayev, as duas unidades de mercenários russos, de cerca de 550 homens se envolveram na batalha perto de Deir ez-Zor. Destes, cerca de 200 não estão registados nem entre mortos, nem entre os feridos.
A lista dos 74 mercenários russos da EMP "grupo Vagner" desaparecidos após o combate do dia 7/02/2018. Estas 74 personagens da 5ª unidade de assalto (números 1 e 74 já foram confirmados como mortos, possivelmente sem existirem nada no lugar dos seus corpos) não estão nem entre os mortos, nem entre os feridos. Além disso, na lista os números № 10, 16, 24, 43, 48, 56, 57 e 67 são marcados como "instrutores", possivelmente são militares russos no ativo, forças de operações especiais (SSO).
“Se você entende alguma coisa sobre ação militar e lesões de combate, então você pode imaginar o que está acontecendo lá. Ou seja, constantes gritos, gemidos de dor”, disse Shabayev à Reuters.

Uma outra fonte, que falou com Reuters sob condição de anonimato, disse que o número total de cerca de 300 mortos ou feridos é bastante correto. Ele explicou que muitos dos feridos têm estilhaços nos seus corpos que não estão aparecendo em raios-X, dificultando o tratamento: “o prognóstico para a maioria dos feridos é triste”.

Guerra dos proxy
3º Hospital Militar “Vishnevski” na cidade de Krasnogorsk
Outros hospitais militares que tratam os mercenários russos feridos em Síria são o 3º Hospital Militar “Vishnevski” na cidade de Krasnogorsk e 5º Hospital Militar em Balashikha, ambos nos arredores de Moscovo; o hospital Burdenko em Moscovo e a Academia Médica Militar de São Petersburgo. Isso é, de acordo com fontes médicas, com Shabayev e outras três pessoas que conhecem mercenários mortos e feridos.

Reuters contactou esses hospitais por telefone na quinta-feira (14/02), mas não conseguiu receber nenhum comentário, com confirmação ou negação dos factos relatados.

Sabe-se que a maioria destes mercenários são cidadãos russos, embora alguns podem possuir a nacionalidade ucraniana ou sérvia.

Perdas russas na Síria
Monumento em Khabarovsk na Rússia com nomes de 4 militares russos, mortos na Síria em 2017
De acordo com os dados do já citado blogueiro militarista russo Mikhail Polynkov, próximo ao terrorista russo Igor “Strelkov” Girkin, as perdas irrecuperáveis dos mercenários russos na Síria são as seguintes:

217 pessoas – 5ª unidade de assalto
10 pessoas – 2ª unidade de assalto
94 pessoas – grupo “Vesna” (ex-«Karpaty»)
13 pessoas – unidade de artilharia

No total: 334 mercenários mortos, os dados ainda não são finais.

Bónus

«Passamos um teste na semana passada. Mas foi um teste surpresa, não o exame final» (The New York Post);
«Na primeira [unidade] 200 baixas, os mortos [...] na segunda cerca de 20 [...] na nossa – 75. É um ...... (horror), desde [20]14 não sofríamos perdas assim» (Rádio Svoboda);
A tabela Excel, preparada pelo grupo OSINT russo CIT com números de baixas, avançados pelos diversos órgãos de comunicação, ocidentais e russos.

Bónus II
Ler mais
Surge a informação sobre a possível liquidação na Síria de um grupo de nazis russos, comandado pelo amigo do Rafael Lusvarghi, Alexey “Fritz” Milchakov. Sabe-se que por mais uma semana este psicopata, conhecido pela sua crueldade contra os POW ucranianos está incontactável. Será que desta ele irá ao inferno?

13 cidadãos russos acusados da interferência nas eleições americanas

Prigozhin, Putin e garçon. @AP/Misha Japaridze, Pool
Nos EUA 13 cidadãos e 3 organizações russos foram formalmente acusados da interferência da Rússia na eleição presidencial nos Estados Unidos. O documento foi publicado na página do Departamento de Justiça dos EUA.
Consultar o documento
Entre os acusados está a Internet Research Agency, LLC; chamada de “fábrica russa de trolls” e o empresário Yevgeny Prigozhin, conhecido como “cozinheiro do Putin” e considerado uma pessoa muito próxima ao presidente russo.
Exemplos de propaganda, lançada pela fábrica de trolls russos
A imprensa russa liga o nome do Prigozhin aos mercenários russos da EMP “grupo Vagner”, ativos na Ucrânia (2014-15) e na Síria (2014-2018) e parcialmente aniquilado recentemente, no decorrer da bem-sucedida resposta defensiva americana.  

O documento afirma que a interferência russa nas eleições americanas começou em 2014.

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Quinze mercenários russos morreram numa explosão na Síria

Foto apenas chamativa de maio de 2017
Quinze serviçais russos, empregados na Síria por uma empresa de segurança privada foram mortos na explosão de um depósito de armas na sua própria base em Tabiya Jazira, na província de Deir ez-Zor, informou a ONG síria Observatory for Human Rights (SOHR).

Pela informação da SOHR, a empresa russa de segurança estava encarregada de proteger os campos de petróleo e gás controlados pelo regime sírio: “Quinze russos que trabalham para uma empresa de segurança privada russa foram mortos em uma explosão em um depósito de armas da [sua] empresa em Tabiya Jazira na província de Deir ez-Zor”, disse o diretor da ONG, Rami Abdel Rahman, à Agence France-Presse, citado pelo jornal britânico The Guardian.

Os mercenários russos acompanharam as forças do regime, avançando aos campos de petróleo e gás nas margens orientais do rio Eufrates, controlados pelas Forças Democráticas da Síria (SDF), uma aliança de combatentes árabes e curdos, apoiada pelos EUA.

A página do Observatório sugeriu que os combatentes do regime estavam tentando retirar as armas do depósito, mas desencadearam uma explosão, resultante de uma armadilha explosiva. Um total de 23 pessoas morreu na explosão, incluindo os 15 russos. Acredita-se que as vítimas sírias eram combatentes do regime, pertencentes à brigada al-Baqir.
A fábrica e campos de petróleo e gás Conoco (ex-ConocoPhillps) que os mercenários
russos pretendiam ocupar na noite de 7 à 8 de fevereiro de 2018
A informação sobre a morte dos 15 mercenários russos vêm na sequência da tentativa russo-síria de ocupar a fábrica e campos de petróleo e gás Conoco (construída e gerida pela empresa americana ConocoPhillps e mais tarde nacionalizada pelo regime sírio. Naturalmente, hoje os seus verdadeiros proprietários não estão dispostos entregar os seus bens aos terceiros). Vários mercenários russos foram mortos no decorrer da bem-sucedida resposta defensiva americana.

Rússia reconhece a morte dos mercenários

Pela primeira vez desde a ação defensiva americana, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da federação russa, Maria Zakharova, nesta quinta-feira (15/02/2018) reconheceu a morte dos cinco cidadãos russos, em resultado do ataque aéreo da coligação liderada pelos Estados Unidos da América.

“De acordo com dados preliminares, como resultado de um choque armado, cujas causas estão agora sendo esclarecidas, podemos falar sobre a morte de cinco pessoas, presumivelmente cidadãos russos. Também há feridos, mas tudo isso exige verificação, em particular e antes de tudo, a sua cidadania (...) Quero enfatizar mais uma vez que não estamos falando de militares russos” (fonte).

Blogueiro: em apenas uma semana a informação sobre aniquilação dos mercenários russos passou de “claramente falsa”, à presumivelmente verdadeira, embora à necessitar a verificação. Na opinião do blogueiro militarista russo el-murid, possivelmente a informação avançada pelo SOHR pretende ocultar a morte dos militares russos no ativo, pertencentes às forças de operações especiais (SSO) que, na realidade, morreram na ação aérea americana. De acordo com o blogueiro, a ONG do Rami Abdel Rahman é conhecida por divulgar a informação bastante fidedigna, recebida, eventualmente dos serviços secretos britânicos.

Enquanto se escrevia este texto, chegou a informação com nomes e fotos de mais dois mercenários russos, abatidos em Deir ez-Zor na noite de 7 à 8 de fevereiro, falta confirmar se eles também eram terroristas no leste da Ucrânia.

Síria: o fim dos bastardos inglórios do grupo Vagner

O blogueiro militarista russo Mikhail Polynkov considera que o número de 600 mercenários russos mortos pelo exército e marinha dos EUA na Síria pode ser demasiadamente otimista. Polynkov visitou no hospital russo um dos mercenários feridos e publicou a sua história, contada na primeira pessoa.
   

Os pontos mais importantes das “impressões” do mercenário:

1. Os mercenários russos assinavam os contratos com a empresa russa “Euro Polis” e vinham para Síria na qualidade de cooperantes civis: chefes do património, geodesistas, topógrafos, etc.

Sabe-se que empresa russa “OOO Euro Polis” [ler mais], celebrou um memorando de entendimento com o governo sírio em que comprometia-se à libertar os campos de petróleo e gás, as fábricas de processamento e outros objetos da infra-estrutura de gás e petróleo, capturados pelas forças de oposição ao regime de Damasco, e depois defendê-los. Em resultado, a OOO Euro Polis deverá receber ¼ dos dividendos da produção de petróleo e gás destes mesmos campos, a empresa também é reembolsada separadamente e de forma adicional, pelos seus custos de operações de combate. O memorando é válido por 5 anos, embora só entrará em vigor efetivo após a adopção de uma nova legislação síria, algo que simplesmente pode nunca acontecer.

2. No ataque à fábrica, onde estavam aquarteladas as forças curdas, com a presença dos militares americanos participaram três esquadrões de assalto. “Vesna” (Primavera) – ex-“Karpaty” (Cárpatos), composto por separatistas ucranianos de Donbas e mercenários russos que participaram nas actividades terroristas no leste da Ucrânia. 2ª e 5ª destacamentos de assalto. Cada unidade era composta por 350 pessoas. Cada destacamento possuía os seus próprios equipamentos de combate, como sistemas antiaéreas ZU, montados nos camiões/caminhões russos “Ural” e blindados BRDM. Na operação participou o grupo blindado, composto por tanques dois ou três T-62, BRDM, BU-57 e uma divisão de canhões M-30. Aos mercenários foi prometida a cobertura da defesa antiaérea, algo que não aconteceu. Praticamente não houve nenhum sírio na coluna. Mas aos diversos mercenários russos foram distribuídas as bandeiras sírias.

O grupo “Vesna” começou o ataque. O 2º e 5º destacamentos estavam em formação de marcha, esperando pela segunda ordem. Quase imediatamente após o início do assalto, os mercenários russos se tornaram alvo do bombardeamento americano [possivelmente os morteiros de 120 mm]. Durante muito tempo os mercenários ficaram com sistemas de comunicação inoperacionais. Depois eles sofreram um pesadíssimo ataque aéreo de bombas e mísseis. A precisão dos bombardeamentos era absolutamente incrível. Os meios aéreos recebiam as coordenadas muitíssimo precisas à partir da terra. Por exemplo, um míssil acertou diretamente no blindado BRDM, 11 mercenários foram atingidos. Durante cerca de quatro horas, os restos da coluna foram alvos de fogo de helicópteros americanos, de trabalhavam de forma giratória. Na saída, os restos das unidades foram novamente atingidas pelo ataque de helicópteros que usavam os mísseis. Até ao rio Eufrates de todo o grupo blindado chegou apenas um tanque [possivelmente T-62]. A inteira divisão de artilharia ficou aniquilada. Um dos canhões foi atingido diretamente no pilha de obuses.

3. A fonte diz que apenas o seu destacamento teve 200 mortos. Tendo em conta que a sua unidade nem sequer chegou à participar no assalto.

4. Hauve muitos voos militares russos, transportando mortos e feridos. Estes eram transportados não só para Moscovo e arredores, mas também para São Petersburgo e Rostov-no-Don. A evacuação foi rápida, os mercenários eram levados com as vestes que tinham no corpo no momento do ataque.

5. Sobre ausência das fotos e dos vídeos. Todos os mercenários russos assinam o contrato com estrita proibição de tirar fotos e vídeos. Nos seus smartphones (que eles podem usar, de forma parcial fora dos combates, aquartelados nas bases) é instalado um programa especial que bloqueia o gravador e a câmara.

Blogueiro: facilmente podemos imaginar que os curdos (que tiveram a participação mínima), receberam o pedido americano de não fazer / não divulgar as imagens, que, por sua vez, seguramente foram feitas, de forma abundante, à partir dos drones e dos satélites que monitoraram aniquilação dos mercenários. Também, é de louvar o uso, em primeira mão dos alegados separatistas de Donbas, desta feita as Forças Armadas da Ucrânia (FAU), foram poupados do trabalho futuro.