sexta-feira, abril 20, 2018

Entidade de jornalistas desmonta notícias falsas russas

O grupo ucraniano StopFake surgiu em 2014 e é uma organização independente, criada por jornalistas voluntários para enfrentar o bombardeio online de propaganda russa.

por: Fernanda Ezabella, Folha.uol.com.br

VANCOUVER (CANADÁ). Em julho de 2014, auge do conflito na Ucrânia, o Exército entrou numa pequena cidade ao leste do país, reuniu a população na praça central e realizou a crucificação do filho de três anos de um militante separatista pró-Rússia.

Uma [falsa] refugiada relatou o caso para uma emissora [televisiva] russa e a história tomou conta das redes sociais [e da psique coletiva russa].

Só que era tudo mentira. Tratava-se de uma das primeiras fake news a serem desmascaradas pelo grupo StopFake, uma organização independente criada por jornalistas voluntários para enfrentar o bombardeio online de propaganda russa.

“A Ucrânia foi um laboratório de testes para ferramentas de notícias falsas, fomos as primeiras vítimas. Estes métodos foram depois usados em toda a Europa”, disse à Folha Olga Iurkova, 36, uma das co-fundadoras que apresentou o projeto no TED 2018, evento de palestras que se encerrou neste sábado (14) em Vancouver, no Canadá.
A co-fundadora do StopFake.org, Olga Yurkova realizou palestra na conferência TED em Vancouver
foto @Glenn Chapman - 10.abr.18/AFP
“No começo, achava que o site ia existir por três meses e resolveríamos o assunto. Meu sonho é que ele não seja mais necessário”, continuou Iurkova, que hoje também lidera a cobertura num jornal local sobre a região de Donbas, pertencente à Ucrânia, e a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

Em quatro anos, o StopFake descobriu cerca de 1.500 notícias falsas, incluindo fotos e vídeos. O site publica entre duas por dia ou uma por semana, dependendo do grau de dificuldade. “As fake news estão ficando cada vez mais sofisticadas”, disse.

O site publicado em 11 línguas (ainda sem português) não tem escritório próprio e os cerca de 30 jornalistas se encontram virtualmente. Nas reuniões diárias, em vez de sugerir reportagens para escrever, eles sugerem textos que querem desmascarar.

O foco é na imprensa russa, e não em criações apócrifas. As mentiras com maior alcance e sobre assuntos importantes ganham mais atenção. Muitas vezes o trabalho é puramente investigativo, checando placas de carro, endereços, documentos do governo ou simplesmente buscando no Google a qualificação de “especialistas” [peritos].

NARRATIVAS
A propaganda estatal soviética da II G.M., que usava o tema de crianças assassinadas
para exortar os cidadãos soviéticos à "se vingar sem compaixão aos assassinos hitleristas de crianças"
“Identificamos 18 narrativas criadas usando notícias falsas, como Ucrânia sendo um Estado fascista ou um Estado falido ou um Estado liderado por um presidente que chegou ao poder com um golpe de Estado”, disse Iurkova em seu discurso. “Nós provamos que não é jornalismo ruim. É um ato deliberado de desinformação”.

O site traz explicações e ferramentas para verificar imagens e afirma já ter treinado mais de 10 mil pessoas, entre jornalistas e professores escolares e universitários.

Em 2017, o país foi palco da edição do concurso musical Eurovisão, festival que reúne 43 países, alvo de inúmeras reportagens falsas.

“Era a chance de o país mostrar que está bem, que não somos fascistas ou nazistas. Mas a propaganda russa foi forte”, afirma a jornalista Olga, cujo próprio pai é devorador de fake news. “Tento explicar sempre para ele. A população mais velha é um grande problema”.

Blogueiro
Galina Pyshniak contanto horrores sobre criança crucificada
A fake sobre menino crucificado foi contada, em primeira pessoa, pela cidadã ucraniana Galina Pyshnyak, de 39 anos, moradora de Slavyansk e esposa de um polícia local que após a tomada da cidade pelos terroristas se tornou separatista. A fake foi disseminada pela jornalista russa, Yulia Chumakova, até hoje chefe do Bureau do sul da Rússia do 1º Canal estatal russo que aparentemente, se sente bem consigo mesma.
Yulia Chumakova, a jornalista propagandista russa
Apesar de estória ser mais que claramente uma notícia falsa, nem Chumakova, nem o 1º canal russo a desmentiram, nem pediram publicamente qualquer desculpa pelo sucedido. Embora é mais que provado (pelos depoimentos de mercenários e terroristas russos) que centenas, senão milhares de russos foram à Ucrânia para morrer e matar os ucranianos, devido essa notícia falsa. Centenas ou mesmo milhares de ucranianos e russos morreram por causa de uma mentira deliberada da TV estatal russa...
Galina Pyshniak: com marido e filhos e depois da guerra russo-ucraniana
O tema da criação da notícia falsa do alegado menino crucificado até faz parte do enredo da 7ª temporada da famosa série americana Homeland. No 5º capítulo, chamado “Active Measures”, uma notícia falsa é criada e plantada nas redes sociais americanas pelo tenente-coronel do GRU, Yevgeny Gromov, interpretado pelo ator de origem russa Costa Ronin (o agente do KGB Oleg na série The Americans). Saul Berenson, o novo chefe de Segurança Nacional, se recorda do caso ucraniano e isso significa interferência russa na política interna americana, através da criação de notícias falsas.

quinta-feira, abril 19, 2018

União Soviética — o país de coisas roubadas (18 fotos)

União Soviética, vista pelos seus fãs mais ortodoxos como um país de tecnologia avançada, na realidade confrontava o inteiro mundo civilizado roubando as suas realizações técnicas e tecnológicas. Cremos que todos estão cientes como a história acabou para URSS.

Uma grande parte da produção industrial na União Soviética – de blindados e aviões aos apitos de crianças foi completamente copiado dos originais ocidentais. Por conveniência, dividimos o texto de hoje em algumas seções, mas tenham na mente que esta é apenas uma ponta do iceberg – o números de dispositivos “batidos” é centenas vezes superior.

As armas

Mesmo as coisas mais sacras aos fãs da URSS, como os equipamentos militares e armas soviéticas, eram copiadas dos análogos ocidentais. O vetor sempre era o mesmo - o dispositivo aparecia na posse dos capitalistas marvados, por exemplo, nas mãos dos finlandeses e, de seguida, o mesmo, de repente aparecia na União Soviética – “inventado” por algum ferreiro talentoso de uma aldeia aonde “Judas perdeu as botas”, graças ao governo soviético que lhe ofereceu todas as oportunidades para realizar o seu talento socialista.

Aqui, por exemplo, a sub-metralhadora PPD-40, criada pelo Degtyaryov em 1934 que serviu, na verdade, de protótipo para a mais famosa PPSh, que se tornou a sub-metralhadora soviética mais fabricada no decorrer da II G. M.

Eis a sub-metralhadora finlandesa Suomi KP/-31, criada três anos antes – em 1931. Diga-me, você vê uma diferença fundamental nestas armas? Realmente podemos reparar que sistema de fixação de carregador (em forma de disco) é claramente menos confiável na arma soviética – o disco não está embutido no corpo de arma, como nas sub-metralhadoras finlandeses, e é montado numa trava externa, que pode facilmente quebrar ou falhar em combate.

Outro exemplo é a espingarda/fuzil de assalto Kalashnikov. A 1ª foto mostra o AK, criado em 1947 (e adotado pelo exército soviético em 1949), na 2ª imagem – o Sturmgewehr 44 (StG44), também conhecido como “espingarda/fuzil de Schmeisser”, fabricado em 1944 em cerca de 450.000 unidades. Os fãs da URSS não se cansam de argumentar que “são duas armas fundamentalmente diferentes”, mas não deixam de ser muito parecidas.


Além disso, após a II G.M. Hugo Schmeisser e diversos seus engenheiros foram levados da Alemanha para a cidade soviética de Izhevsk, onde trabalharam, em uma fábrica fechada, conhecida como “sharashka”, onde no mesmo tempo trabalhava o jovem Mikhail Kalashnikov, o secretário da célula local da juventude comunista – Komsomol. Após a saída de Schmeisser em 1947 para a Alemanha, o “génio soviético”, Kalashnikov, nos próximos 66 anos não criou nenhuma arma fundamentalmente nova, absolutamente nada.


Bem, as sub-metralhadoras e espingardas/fuzis de assalto eram copiadas. Mas pelo menos as pistolas soviéticas eram originais? O amplamente conhecido PM, ou a pistola Makarov (que ainda hoje é a principal pistola pessoal da polícia e do exército de muitos países pós-soviéticos) também foi copiada. Pistola Makarov, “criada” em 1948:

E pistola alemã Walther PPK, fabricada em 1931. O princípio de funcionamento, dimensões, localização dos principais pontos-chave – tudo é quase idêntico:

Eletrodomésticos

Fãs soviéticos costumam dizer, vejam, que lindos eletrodomésticos eram fabricados na URSS! Gostam especialmente do aspirador “Chayka” (Gaivota), que tinha uma forma alongada, uma espécie de patins para mover-se sobre os tapetes e uma silhueta geral “cósmica”, bastante elegante para a sua época:


Só que “Chayka”, fabricado na URSS em 1963, é quase completamente copiado do aspirador holandês “Eatonia”, fabricado nos Países Baixos ainda em 1942 (!) para a cadeia de lojas canadenses T. Eaton, daí o nome. “Chayka” é uma cópia fiel ao original ocidental, mantendo até a cor, a forma do cabo, a forma dos patins e o design da cobertura cromada com o logótipo:

Os fãs da URSS gostam de se lembrar de aparelhagens musicais soviéticas – dizem eles, que URSS produzia o som quente de lâmpadas e que as colunas de som soviéticas S90 até hoje são melhores do que os análogos ocidentais. Vejam, por exemplo, o gira-discos “Estónia-010”, fabricado em 1983. Botões prateados elegantes, design minimalista íngreme, tudo como deve ser:

E vejam o gira-discos japonês Sharp Optonica RP-7100, fabricado em 1981. Está vós lembrar alguma coisa? Certamente os fãs da URSS poderão argumentar que é uma mera coincidência ;-)

Mesmo uma coisa simplória, como a máquina de barbear elétrica, foi roubada. Aqui está a máquina soviética “Agidel”, fabricada em 1967 na cidade de Ufa:

E aqui temos a máquina Philipshave, fabricada dois anos antes, em 1965. Por favor, note que foi copiado tudo, incluindo a cor do foro interno da sua caixa:

Viaturas

A URSS costumava comprar as linhas inteiras de produção de viaturas, fabricando análogos completos de viaturas ocidentais – por exemplo, o VAZ (Lada/Zhiguli) 2101, que de facto, é a cópia fiel do “Fiat” italiano.

Mas também costumava roubar a tecnologia, copiando algumas marcas de forma ilícita. Vejamos, o mini soviético ZAZ-965, construído em 1960:

... e Fiat-600, criado em 1955 (cinco anos antes). Mais uma coincidência?

Mais um “Zaporozhets”, o orelhudo ZAZ-966 (fabricado na Ucrânia soviética entre 1967 e 1972).

... é quase uma cópia absoluta do compacto alemão NSU Prinz IV, fabricado em 1961:

Ligeiro Gaz-21 “Volga”, lançado em 1956:

O seu original, Ford Mainline, que apareceu em 1952:

Fotos: drive2.ru | avito.ru | yandex.ru | Texto: Maxim Mirovich

Em vez de um epílogo.

Por acaso, não conhecemos nenhum exemplo do oposto, em que alguma novidade primeiramente aparecer na União Soviética, e depois fosse copiada no Ocidente. E vocês, leitores, conhecem algum caso destes?

quarta-feira, abril 18, 2018

A prostituição russa: beleza, solidão e Donbas em 10 fotografias (+16)

Três milhões de mulheres se dedicam à prostituição, é o saldo estatístico sobre o comércio sexual na Rússia. A fotógrafa frilancer russa Tatiana Vinogradova penetrou na intimidade das casas de dez prostitutas para fotografá-las ao natural e conhecer as suas histórias individuais.

por: Rodrigo Ayala Cárdenas, Culturacolectiva.com

Isto apela aos visitantes desta nação euro-asiática, que são atraídos pela possibilidade de ver, tocar e intimar com algumas das mulheres que, devido à pobreza que assola certas áreas deste imenso país, dedicam-se a uma prática ilegal. A Rússia é popular por causa da beleza exótica de suas mulheres loiras com pele leitosa, olhos azuis ou verdes e corpos esguios, uma imagem idílica que nem sempre corresponde à realidade.
Tatiana Vinogradova entrou na intimidade das casas de dez prostitutas para fotografá-las ao natural e conhecer as histórias individuais. Ela é uma fotógrafa freelancer radicada em São Petersburgo, que foi atraída pela vida secreta dessas mulheres e suas razões para se dedicarem a um comércio tão antigo, perigoso e difícil.
Cada imagem mostra a vulnerabilidade dessas mulheres de diferentes aparências, idades e personalidades. Mas o que é realmente angustiante e comovente, que se esconde por trás de seus corpos nus são as necessidades que as levaram a se enveredar por um ofício, controverso para alguns.
A história de Vera, de 45 anos e moradora de São Petersburgo, é uma prova clara da dureza da vida e dos esforços de uma mãe para ajudar os seus filhos. Ela trabalhou por 20 anos como cozinheira e depois como chefe de obras. Quando seu filho foi diagnosticado com esquizofrenia, seu mundo virou de cabeça para baixo. Uma mãe solteira com um salário insuficiente para pagar medicação e tratamento adequado, ela decidiu tentar a sorte em uma sauna pública que oferecia serviços sexuais aos seus clientes.
Uma infância dolorosa em que sua mãe a maltratou física e psicologicamente, e um casamento fracassado que terminou depois de oito anos de convivência, fizeram com que Vera pensasse na vida como numa luta constante. Ela vê seu trabalho da seguinte maneira: Os homens só precisam de sexo e eu preciso de dinheiro.
Este tipo de histórias de magnitude social trágica e dolorosa se opõem àquelas mais escandalosas que também envolvem prostitutas: em 2017, o presidente russo Vladimir Putin, falando de um escândalo envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, referiu-se a ao facto do seguinte modo: «Estava relacionado com as mulheres mais belas do mundo. Eu tenho dificuldade em imaginar que ele correu para um hotel para se encontrar com as nossas meninas de baixa responsabilidade social. Sem dúvida, eles são as melhoras do mundo, mas duvido que Trump caia nisso.


O evento mencionado foi aquele em que, de acordo com um espião britânico, Trump contratou os serviços de várias prostitutas em Moscovo para urinar na cama de uma habitação em que Barack Obama e sua esposa Michelle haviam ficado alojados durante a sua visita à Rússia em 2009.

É comum ver que as russas trabalharem como prostitutas, porque a situação económica às vezes não é muito boa e são os turistas que gostam de nos visitar. Somos uma atração e uma fantasia ao mesmo tempo. No meu caso, recebi 2.000 rublos (cerca de 60 dólares) pelos meus serviços e todos os turistas pagam sem problemas, diz Olga Kyliuchenko, trabalhadora do sexo numa boate conhecida de Moscovo.

No entanto, a prostituição em São Petersburgo é algo com muita história, que data de meados do século XIX. Foi em 1844 que foram estabelecidas as normas policiais e sanitárias para que a prática da prostituição se daria em condições ótimas, tanto para as mulheres como para aquelas que as procuravam. Havia matronas em cada bordel que se dedicavam à administração monetária e de saúde de suas funcionárias, que, na maioria dos casos, recebiam pagamentos miseráveis.
As prostitutas do império russo que passavam os controlos sanitários e pertenciam à folha de pagamento de um bordel obtinham um cartão amarelo para trabalhar livremente e protegidas por lei.

O escritor russo Alexandre Kuprin descreve, no seu conto [de suspense e espionagem] Stabscapitão Rybnikovum bordel da época, de seguinte forma: Aquele lugar era algo entre um bordel caro e clube chique: tinha uma entrada elegante, um urso empalhado na sala de espera, tapetes, cortinas de seda, lâmpadas em forma de teia de aranha e serventes de fraque e luvas. Lá os homens chegaram ao fim da noite quando os restaurantes fechavam. Naquele lugar se jogavam cartas, havia vinhos caros e sempre havia um grande estoque de mulheres bonitas e frescas, que eram mudadas com frequência.

[A foto de moça deitada no sofá com tapete barato com leopardos, ganhou o 3º prémio na nominação “Histórias fotográficas”, na categoria “Pessoas” no concurso de World Press Photo 2018.
Menina se chama Aliona e é natural de Donetsk. Cresceu no orfanato e quando começou a guerra russo-ucraniana, recebeu a proposta, de se mudar para São Petersburgo e se tornar a administradora, uma espécie de matrona, num prostíbulo ilegal local. Aliona, possivelmente, achou que não perderia nada em sair de Donbas e viajou ao São Petersburgo, onde rapidamente descobriu que foi enganada, obrigada à vida de uma simples trabalhadora de sexo. Nesta situação ela foi retratada pela Tatiana Vinogradova.


Caso absolutamente triste, se considerarmos a situação através do destino separado de uma pessoa singular. Mas na verdade, é uma ilustração diabolicamente precisa dos habitantes de Donbas (sem generalizar, claro) e da Rússia. Venha, Donbas, você será o administrador, você irá administrar outras prostitutas. Você é tão forte, Donbas, ninguém te coloca de joelhos, Donbas, você não faz promessas vazias, Donbass. E no final, claro, comem o seu cú ou a sua bunda].

Na sua série fotográfica Girls/Meninas, Tatiana Vinogradova trocou os bordéis das tapeçarias de veludo e das fragrâncias sufocantes do século XIX pelas casas onde essas mulheres vivem, que são o motivo de suas imagens. Todas elas foram expostas não apenas às lentes de uma câmara, mas às inclemências de uma ocupação que, na maioria dos casos, é exercida por uma necessidade angustiante.

Bónus
Foto do ano de World Press Photo: o manifestante José Victor Salazar Balsa – participante da ação de protesto contra o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, em Caracas, em 3 de maio de 2017 – em chamas. Foto @Ronaldo Schemidt / AFP

Estaline-Béria-GULAG! Se deu um erro terrível, camaradas!

O mercenário russo e propagandista anti-ucraniano, membro do partido nacional-bolchevique, Aleksandr Averin (37), foi várias vezes visto no território ocupado da Ucrânia, onde ele apoiava os bandos ilegais armados. Neste momento é detido na Rússia, acusado de contrabando de armas.
  
Após a ocupação russa da Crimeia o partido nacional-bolchevique e o seu clone, partido “outra Rússia”, enloqueceram de vez: “Os nossos MiGes vão aterrar em Riga! Kiev – é cidade russa! Acabaremos as reformas assim: Estaline-Béria-GULAG!”, vomitavam estes e outros slogans comuno-fascistas. Se transformaram em putinistas maiores do que o próprio Putin e todos os seus grupelhos juvenis anteriores.

Começou a guerra russo-ucraniana e muitos deles foram para Donbas, participar nas atividades terroristas contra Ucrânia. O nosso paciente também foi.
Muito recentemente, o mercenário foi detido pela polícia russa, no terrotório da Rússia, na posse de uma Makarov ilegal, com carregador armado. A peritagem provou que a arma era real. O tribunal russo decidiu a sua prisão preventiva. Averin é acusado ao abrigo de dois artigos do Código Penal russo: Art. 222 (porte, transporte ou posse ilegal de armas), sancionado com a prisão efetiva de até 5 anos e multa de até 100.000 rublos (cerca de 1.500 dólares) e parte 1, do Art. 226 (contrabando de armas de fogo ou os seus elementos principais) sancionado com a prisão efetiva entre 3 à 7 anos e multa de até 1 milhão de rublos (cerca de 15.000 dólares).

Camaradas, Estaline-Béria, querido sistema GULAG, se deu um erro terrível, – chora agora Averin numa choldra provincial russa.
Mas não foi você que pediu Estaline-Béria-GULAG? O seu desejo é o nosso prazer!, – responde lhe com o sorrismo malandro o estado russo omnipresente.

É sempre bom, ver os desejos à se realizarem, pensa com os seus botões o centro ucraniano Myrotvorets. 

terça-feira, abril 17, 2018

“Revolução de veludo” em curso na Arménia

A oposição política da Arménia anunciou o início da “revolução de veludo”, protestando contra a nomeação do Serj Sargsyan como o Primeiro-ministro do país. Até agora o poder político faz tudo para evitar a violência e vítimas entre os manifestantes.
O conflito, explicado de forma simples, se deve ao facto, de que o atual 3º presidente da Arménia, Sargsyan serviu dois mandatos como presidente e não querendo deixar o poder, iniciou a reforma constitucional que transformará o país da república semi-presidencial à república parlamentar, onde o poder presidencial é meramente nominal e todo o poder real estará nas mãos do Primeiro-ministro. Desta forma, Sargsyan poderá ocupar o poder sem nenhum limite de mandatos, basta para isso, manter o controlo sobre a maioria parlamentar.

A oposição não concorda com a ideia e considera que o país está se transformar numa ditadura. Neste momento, o partido do presidente, Partido Republicano da Arménia, de cariz conservadora, ocupa no parlamento 70 lugares entre 131 deputados.
Cidade de Yerevan, junho de 2015
Os últimos protestos em larga escala decorreram na Arménia em junho de 2015, quando os arménios, principalmente os moradores na capital Yerevan, protestam contra o aumento das tarifas de electricidade. Na altura, a polícia usou os canhões de água e detenções em massa dos ativistas. Em resposta, os manifestantes cortaram as principais avenidas de Yerevan, gritando aos slogans contra a corrupção e contra a presença militar russa no país.

Sabe-se que hoje os manifestantes usaram a mesma tática, deitando-se, em massa nas estradas principais da capital, forçando a paragem de trânsito e bloqueio dos edifícios governamentais, nomeadamente o edifício do parlamento nacional.


É de recordar que em 27 de outubro de 1999 o parlamento da Arménia foi invadido por um grupo de militantes armados com espingardas de assalto do tipo AK. Eles abriram fogo contra os membros do governo do país, matando o primeiro-ministro, chefe do parlamento, dois dos vice-primeiros-ministros, um ministro e três deputados. No total, morreram 8 pessoas.

Os atacantes foram liderados pelo ex-jornalista e ativista social Nairi Hunanyan, que justificou a sua ação pelo desejo de “salvar Arménia do desaparecimento”. Ele e mais 4 atacantes foram condenados às 8 penas de prisão perpétua, mais uma pessoa recebeu a pena de 14 anos. Ninguém sabe os reais motivos ou os mandantes do crime, os rumores apontavam como o real mandante o 2º presidente arménio, na altura em funções, Robert Kocharyan, que, dessa maneira, alegadamente, se livrou dos seus adversários políticos...


Síria: inspetores, encobrimentos, Tomahawk's e terroristas abatidos

As forças sírias e russas não permitem que os inspetores da OPAQ visitem a localidade de Duma, onde o regime de Damasco usou as armas químicas contra a sua própria população civil. Assim, será mais facil de supor que o regime russo sente a culpa e tenta encobrir as evidências:
Os representantes russos tentam elaborar algumas explicações do seu comportamento, inventando as desculpas bastante fracas, argumentando que permitirão a entrada dos inspetores em Duma não antes desta quarta-feira (18 de abril).






A própria Rússia insistia na inspeção da OPAQ e agora não permite que os inspetores façam o seu trabalho. O que claramente aponta a tentativa de alguém (sírios, russos ou iranianos) de eliminar as evidências. O que, por sua vez poderá levar às novas sanções e às novas ações militares, desta vez, não é de excluir o bombardeamento de alvos russos (nem que seja por “engano”).

Finalmente, as forças do regime do Damasco conseguiram mostrar um Tomahawk abatido, cheque e mate, América, a sua tecnologia não é nada invencível!

As forças aliadas, também demonstram os resultados dos seus bombardeamentos, os alvos sírios foram atingidos de forma verdadeiramente cirúrgica.
Complexo de pesquisa química em Barza (Barzeh) em Damasco
De Duma, chega a informação sobre a morte, em 11 de abril, de um polícia militar russo. O canal WarJournal da plataforma Telegram (cujo bloqueio foi oficialmente decidido na Rússia desde 13 de abril de 2018) informa que o sujeito participou nas atividades terroristas no leste da Ucrânia (nomeadamente nos combates pelo aeroporto de Donetsk), estava filiado no bando armado “Sparta” (comandado pelo terrorista “Motorola”) e mais tarde entrou nas fileiras da polícia militar russa e foi enviado à Síria. Alegadamente, foi morto por via de um AEI, escreve a página russa Rambler.ru

Blogueiro: o caso do terrorista, ora desconhecido, mostra a facilidade com que os militares russos no ativo na Rússia se transformam em “voluntários russos” na Donbas e vice-versa. Qualquer militar russo morto ou capturado pelas forças ucranianas é automaticamente se torna “voluntário”, com documento, assinado pelo próprio, sobre a saída do exército russo (na realidade um documento assinado com a data em aberto, que é preenchido apenas no caso da sua morte ou a captura).