quarta-feira, janeiro 10, 2018

Como está a Venezuela? Tudo más notícias (31 foto)

A crise na Venezuela não acabou de forma alguma – aparentemente, tudo está apenas começando. As pessoas são pobres, há um deficit total de bens, a economia é atingida pela inflação galopante (2.616% em 2017), queda do PIB é de 15% anuais e pela desvalorização da moeda nacional. Os protestos nas ruas e os confrontos com a polícia não pararam.

Esquerda gosta de comparar as ações de protesto de Venezuela com as da Ucrânia, dizendo “vejam no que se tornou Ucrânia após Maydan, que pesadelo”, etc. Na realidade a Venezuela atual é um excelente exemplo no que se tornaria da Ucrânia se Maydan não ganhasse, enquanto isso, Ucrânia se estabilizou e em 10-15 anos, será um estado bastante desenvolvido e avançado.

02. Devido à crise prolongada e depreciação diária dos bolívares, uma das comunas (bairros) de Caracas emitiu a sua própria moeda chamada “panal”. Essa é aparência da nova moeda:

03. Panal pode ser trocado por dólares ou por bolívares, mas só é aceite dentro da comuna, onde pode ser usado para compras locais: açúcar, arroz, pão e outros. Na foto, as pessoas ficam na fila de uma casa de câmbio.

04. Devido à crise prolongada, em todo o país e até mesmo na capital de Caracas são frequentes as cortes de energia elétrica. Numa foto tirada em dezembro de 2017, é mostrada a vida no decorrer dos apagões – os funcionários da empresa de distribuição dos produtos alimentícios estão trabalhando com a luz de celulares.

05. Um dos centros de negócios em Caracas durante o apagão – uma pessoa desce as escadas absolutamente escuras.

06. Uma pequena mercearia, também fechada por falta da eletricidade.

07. A falta de eletricidade provocou uma crise de transporte – o metro parou completamente em Caracas. A capital é uma cidade bastante grande, tem mais de dois milhões de habitantes e, devido à paragem de metro, os transportes públicos rodoviários começaram se transformar nisso:

08. Um autocarro urbano superlotado em Caracas:

09. Pessoas na paragem de autocarro/ônibus esperando por transporte público:

10. Autocarro/ônibus urbano:

11. Devido às cortes constantes com a eletricidade e a situação geralmente instável no país, quase toda a construção civil parou. Em Caracas e outras cidades, é possível ver as obras inacabadas, preservadas “até as melhores oportunidades” (que chegarão não se sabe quando, a crise não mostra nenhum abrandamento).

12. Por causa da queda total no padrão de vida, dos salários e em tudo o resto, a Venezuela entrou em uma grave crise de medicina. Não há medicamentos – o país não produz nada e, para as compras no exterior, precisa de divisas, que também não tem, porque não exporta quase nada. A crise da medicina formal leva venezuelanos doentes aos curandeiros e à “medicina alternativa”.

13. Normalmente, as “instalações de saúde alternativas” se situam nas áreas mais pobres. Aparência do local de atendimento de um dos famosos curandeiros da favela Petare em Caracas, milhares de pessoas vêm aqui todos os meses.

14. Métodos de tratamento – fumigação,

15. O acariciamento pelos ramos,

16. Uso do triângulo mágico, desenhado com giz, com as velas nas pontas, uma garrafa de plástico com água, e no interior, aparentemente uma instrução de uso. Está escrito algo como: “Desde os tempos imemoriais, a pirâmide era uma concentração de força, olhe para as pirâmides do Egito, você precisa colocar as extremidades inferiores no centro da pirâmide e colocar as palmas das mãos para cima, para uma melhor circulação da energia solar e todos os males passarão”. Algo assim.

17. Outro processo de cura, o principal é segurar a vela corretamente – caso contrário, não funcionará devidamente, o menor desvio matemático nos rituais da bruxaria pode levar às consequências completamente imprevisíveis)
Mas na verdade, não é nada engraçado – se percebe que as pessoas estão desesperadas em obter ajuda da medicina convencional, que simplesmente não possui remédios.

18. Na parede do apartamento do curandeiro aparece a imagem do Chavéz. O curandeiro tem a sua razão, o regime bolivariano é o seu ganha-pão – enquanto durar a crise, ele sempre terá os clientes.

19. A crise alimentar é tão má quanto a dos remédios, na foto podemos ver uma “cesta alimentar” do venezuelano que conseguiu alguma coisa num supermercado – bolachas, sopa de pacote e possivelmente especiarias. Foi uma boa compra.

20. As prateleiras de muitas lojas têm essa aparência. As lojas mais abastadas colocam nas prateleiras todos os bens disponíveis: champôs, salgados, sais de banho e pacotes de macarrão – para recriar a aparência de abundância. Em geral, muitas vezes tudo se parece exatamente com a da União Soviética – as prateleiras parecem estar cheias, mas na verdade exibem apenas 5-7 tipos do mesmo tipo de bens.

21. A Venezuela está cheia de contrafacções chinesas de produtos de higiene íntima feminina, veja os nomes das marcas:

22. Os mercados ajudam às pessoas à não morrer de fome. No mercado, por exemplo, se pode comprar ovos. Todas as bancas recebem os cartões de débito e de crédito. A explicação é simples – a moeda local é desvalorizada diariamente pela hiperinflação, (2.616% em 2017), todos os cálculos são vinculados ao algo mais estável – por exemplo, ao dólar americano. Praticamente toda família venezuelana tem alguém trabalhando no exterior, que pode enviar algum dinheiro diretamente à conta ligada ao cartão (isso é mais fácil do que enviar via transferência postal ou bancária) – então os cidadãos optaram pelas compras com cartões.

23. Mesmo os vendedores ambulantes de rua aceitam cartões:

24. E os vendedores de bananas. Se comprar algumas bananas, conseguir alguma farinha e ovos – se pode fazer boas panquecas.

25. Os pequenos quiosques privados também funcionam, no entanto, aqui são vendidos apenas coisas de pouca utilidade, como doces e barras de chocolate. E sim, eles também aceitam cartões. Preste atenção, na vitrina não aparecem os preços.

26. Apesar de todas as fábulas contadas pelo Chávez, e agora pelo Maduro, na Venezuela, existem muitas favelas – uma família alargada vive, frequentemente, em um pequeno quarto sem janelas, e a cozinha se situa num apêndice, feito de chapas de zinco, com a uma extensão de 2 metros quadrados. Na foto, este tipo da cozinha. A menina à direita usa embalagens descartáveis ​​de produtos alimentares em vez de louça...

27. Os pobres estão vasculhando o lixo – estão procurando algo comestível.

28. Recentemente, novas formas de ganhar a vida apareceram na Venezuela – os jovens vão aos Internet cafés, onde tentam “minar” um pouco de alguma moeda criptográfica, ou criar e desenvolver uma personagem do vídeo game que pode ser vendido por um bom dinheiro. Notem os monitores de computadores, são em desuso, na maior parte dos países, por cerca de uma década.

29. Os protestos ativos na Venezuela também continuam, embora os meios de comunicação dedicam-lhes muito menos atenção. No início de dezembro, as barricadas novamente arderam em Caracas:

30. A polícia está preparando para atacar as posições dos manifestantes:

31. As ruas de Caracas cheias de fumaça:
Fotos: GettyImages | Texto Maxim Mirovich

segunda-feira, janeiro 08, 2018

Irão antes da chegada dos ayatollah em 1979 (20 fotos)

Irão, onde neste momento decorrem os protestos em massa nem sempre era uma ditadura teocrática que tenta controlar todos os aspetos da vida humana: desde as roupas dos cidadãos até suas amizades nas redes sociais. Até recentemente os cidadãos protestavam atrás das portas fechadas (organizando as festas ou ouvindo a música ocidental), hoje eles saíram às ruas.

Olhando para Irão atual, com pessoas vestidas de forma horrorosa em roupas medievais sombrias e com terríveis execuções de dissidentes, é quase impossível acreditar que menos de 40 anos a vida no Irão era completamente diferente, sem os ayatollah e da sua “revolução islâmica” de 1979, quando o poder do país caiu nas mãos de fundamentalistas.

02. As estudantes da Universidade de Teerão, década de 1970. As moças usam roupas e cabelos completamente ocidentais, país não conhece as proibições de uso de roupas ou de comportamentos.

03. Mais uma foto dos estudantes da Universidade de Teerão, os jovens iranianos parecem com os seus pares da Europa Ocidental.

04. A banda de rock local, década de 1970. Antes de 1979 no Irão funcionavam alguns bons estúdios musicais, completamente proibidos após 1979.

05. Mais uma banda musical. Após a sua vitória, os fundamentalistas começaram aprender e queimar os discos de música “não islâmica” e cartazes das bandas iranianas, para apagar, por completo, a memória da vida passada.

06. O quarteto feminino iraniano, início da década de 1970.

07. O pop iraniano com alguns elementos do rock-n-roll e música étnica:

08. Revista iraniana de moda, publicada antes de 1979.

09. Mais uma revista de moda:

10. Mais Irão e mais revistas de moda.

11. As modelos iranianos pousam junto aos monumentos culturais nacionais.

12. Mais modelos, uma verdadeira beleza oriental:

13. Vitrina de uma loja de roupa de moda em Teerão:

14. A juventude iraniana: as roupas e cabelos são iguais aos jovens ocidentais da década de 1970.

15. Diversos cidadãos mais comuns nas ruas de Teerão, década de 1970 (a publicidade da companhia aérea americana Pan Am no topo do edifício no fundo da foto).

16. As moças, na entrada, do que parece, um centro comercial ou edifício de escritórios.

17. O mais provável a foto da década de 1960:

18. Mãe e filho na loja de roupa, Teerão, década de 1970.

19. Passeio no rio. Antes de 1979 as mulheres iranianas possuiam diversos direitos (como passear sozinhas), que foram lhes retirados pelos ayatollah.

20. Arquitetura urbana das décadas de 1960-1970. Edifícios ao estilo internacional, conhecido como Bauhaus (nome da escola do design alemão, existente entre 1919 e 1933). Parecido com alguma rua no Brasil ou Ucrânia (menos o autocarro “britânico” de dois andares no fundo da foto).

21. O paradigma da vida no Irão atual. As conclusões podem ser tiradas pelos nossos queridos leitores...

Fotos: GettyImages | Internet | Texto Maxim Mirovich